Olá Malungas Queridas! :O)
Devagarinho estou respondendo a todos os adoráveis comentários que recebi! Vocês são mesmo maravilhosas!
Indo a todos os blogues responder a vocês, deparei-me com o tema acima (Bullying) no lindo blog da Zenaide, que se chama Lata de Luxo. A Zê mora na Índia e tem parentesco com uma criança que sofre de Bullying.
No início do ano já havia comentado com a Ana Karla, do blog Misturação, sobre esse tema. Ficamos de retomá-lo no início do ano letivo, mas por diversas razões eu acabei não tocando no tema. A Aninha, que mora no Recife, sempre fala sobre o Bullying em seu blog.
Enfim, a hora chegou.
Para quem não sabe ou desconhece o assunto, o BULLYING é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, ou desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.
Mas o que é o Bullying?
O termo BULLYING compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, relaciono algumas ações que costumam estar presentes:
Colocar apelidos jocosos
Ofender
Zoar
Gozar
Gongar
Encarnar
Sacanear
Humilhar
Agredir
Bater
Chutar
Empurrar
Ferir
Roubar
Quebrar pertences
E, agora, faço uma dolorosa confissão a vocês: eu padeci de Bullying por muitos anos na escola onde estudei. Por sinal, uma das mais renomadas escolas da minha cidade, um Colégio administrado por católicos canadenses chamado Colégio Cristo Rei.
Sofri todo tipo de humilhação que se pode imaginar. E sofri praticamente calada, pois naquele tempo se desconhecia os malefícios dessas dolorosas intimidações.
As agressões verbais eram diárias e em todos os horários, chegando ao ponto de, na hora do intervalo, ficar reclusa no banheiro. Comiam meu lanche, roubavam minhas canetinhas, jogavam fora minha limonada, pregavam papéis ofensivos em minhas costas, me apelidavam com os piores nomes, mexiam na papelada da professora e me culpavam, me seguiam pela rua me xingando.
Vez ou outra e com muita má vontade o inspetor Mateus (um banana que até hoje trabalha no dito colégio), me salvava de ser tão gongada.
Com o passar dos anos - e sob muito sofrimento, podem acreditar -, desenvolvi métodos de defesa. Passei a observar outras crianças na mesma situação e me juntei a elas. Fomávamos a turma das CDF's, que atualmente são chamadas de Nerds.
Éramos inicialmente 3 meninas, depois passamos a umas 6 e mais 2 meninos até o final do colegial e posterior ingresso em faculdades diferentes. Juntos passei a ser mais feliz e a me identificar com os mesmos problemas. Vez ou outra era sempre gongada, mas a dor era muito menor.
Outro método interessante de defesa que desenvolvi foi baseado na constatação de quão burros e defasados nos estudos eram os que infligiam esse mal. Por ser sempre uma das primeiras alunas, passei a fazer uma troca com eles: me dariam folga e eu lhes passaria cola em época de provas.
Isso foi muito bom e me salvava de zoeiras por algumas semanas. Depois voltava, claro.
Mas teve vezes que sacaneei alguns deles: passava cola errada justamente na matéria que o cara mais precisava...hehehe
Quando estava na 8ª série, com 13 anos, cheguei a ir armada com uma faca na escola e a mostrar a eles no meio da rua para que parassem de me seguir e me xingar. Minha vida era um inferno!
Vocês devem estar se preguntando: e seus pais nunca fizeram nada? Eu morria de medo de contar para os meus pais. Tinha medo de que me culpassem, de alguma forma. De que me dissessem: "mas você é muto mole, tem de ser durona". Afinal eu nunca soube sere durona.
Meus pais nunca souberam disso e lhes afianço que é praxe nos que padecem de Bullying, pois geralmente os pais são os últimos a saber. Quando descobrem o estrago psicológico já é grande demais!
Ainda hoje encontro com pessoas que me infligiram esse mal. A cidade é pequena e tenho comércio, então cruzá-las, vez ou outra, é sempre possível. Dia desse apareceu em meu comércio uma de nome Milena. Essa era uma verdadeira sarna! Como me sacaneou! E veio toda pimpona me cumprimentar como se nada tivesse acontecido, perguntando da vida e tudo mais - como se tivéssemos sido amigas no passado.
É incrivel como a cicatriz fica presente: eu gelei por dentro e suei por fora. Fiquei quase sem voz, com taquicardia e olhando copiosamente a registradora, com vontade de explodir na cabeça dela. Mantive a calma, mas a tratei com tanta frieza que os olhos dela me perguntava o porquê. Ainda bem que nunca mais voltou, maldita seja para todo sempre.
E para as Milenas da vida vale aquele ditado: "quem bate esquece, mas quem apanha nunca esquece". Claro, ela nem se lembra mais... Mas aqui em meu coração as marcas ficaram presentes enquanto ela se divertia com minha miséria.
Aliás, uma constatação interessante: a maioria dos que me zoavam e com quem pude ter contato, se deram muito mal na vida. Enveredaram por bebidas, drogas, casamentos falidos, não se formaram, prole com muitos pais e outras desgraças. Um tema interessante para se abranger...
E como os Dia das Mães se aproxima, deixo esse alerta para todas vocês: cuidem de suas crianças, observem a mais delicada das mudanças de comportamento, estejam atentas. Lembrem-se sempre de que quem sofre de Bullying geralmente é mais retraído e tem dificuldade de se abrir com os genitores.
E também vale o caminho inverso: observem se seu filho não é perverso na escola, se não persegue algum amiguinho, se costuma zoar com os colegas, arrumar brigas e apelidos jocosos. Uma dica importante é observar se a criança é perversa com animais de estimação. Se for, é um dos mais importantes sinais! Ensinando a trilhar o caminho da igualdade e respeito, será um adulto bem melhor.
Agora deixo com vocês uma sugestão feita pela Zenaide, da Lata de Luxo:
Contem suas experiências pessoais ou de conhecidos.
Vamos abrir nos blogues essa discussão, sempre proveitosa e interessante.
Enquanto parte da sociedade temos o dever de proteger essas pobres crianças!
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Meninas:
Sei que me alonguei no tema, mas acho de suma importância o relato de quem, como eu, já esteve no olho do furacão.
Muito obrigada pela paciência!
Tenham todas um lindo dia!
Beijoooooo