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domingo, 10 de janeiro de 2010

O que fazer num momento desses?






Olá Meninas Queridas!

Espero que estejam todas muito bem.

Eu sumi estes dias por dois motivos: um resfriado dos "brabos" me pegou de sopetão. O motivo é o de sempre: calor, suor, ventilador, gelado, banho frio e repeteco de tudo isso junto e misturado...rs

O segundo motivo é imensamente triste e me baqueou de vez...

Soube que uma amiga de infância e que é minha vizinha próxima está com câncer no fígado e no reto. Ela descobriu há um mês e o caso não tem solução, está bem adiantado. Ela está minguando, bem magrinha e abatida.

Nós fomos amiguinhas de infância e me lembro das vezes em que íamos ao clube do nosso bairro nadar e brincar. Brincávamos muito, conversávamos, ríamos a valer.

Depois passamos a nos ver menos. Na adolescência eu era "nerd" e, talvez por esse motivo, tenhamos nos distanciado um pouco. Depois fui fazer faculdade fora da cidade e nos separamos por alguns anos.

Ela virou uma moça linda, de corpo escultural e no bairro os meninos "quebravam" o pescoço ao vê-la passar. Mas, nem por isso, ela deixou de continuar sendo a mesma menina de sempre, simpática, simples, que me cumprimentava e parava para bater papo.

Sempre foi uma menina linda, alegre, cheia de vida, baladeira, festeira. Geórgia sempre foi sinônimo de vida.

Casou-se, teve a linda Giullia que hoje é uma mocinha de uns 15 anos, separou-se e namora há anos um músico bem conhecido da cidade. A baladeira tornou-se católica praticante e colaboradora da paróquia do bairro nas horas vagas. A típica moça de bem, muito trabalhadeira e honesta, que bravamente cria a filha sozinha.

A vida dela, depois de uns altos e baixos financeiros, estava se estabilizando, entrando nos eixos e os planos de futuro eram radiantes, sendo que incluía uma faculdade - sempre tão sonhada, mas que não pode ser alcançada com a morte precoce do pai, o maior provedor do lar.

Eu me pergunto por que isso agora? Por que essa doença tão vil surgiu nesse momento em que ela sossegava dos problemas? Por que em uma moça com menos de 40 anos? Jovem, cheia de vida, alegre, amiga, boa mãe, boa irmã, boa filha...

Não entendo estes desígnios que temos de aceitar, pois não há como lutar contra. A gente tem de aceitar e pronto! Sem negociação, sem adiamentos, sem possibilidade de acordo ou desistência.

Nesse momento minhas lágrimas impedem que eu traça um perfil digno da doce e batalhadora Geórgia.

Como disse Jules Renard: "Não é possível chorar e pensar ao mesmo tempo, pois cada pensamento absorve uma lágrima." 

Gostaria imensamente de ter a fé que a Geórgia tem, que encontra-se tranquila e falando sem sustos de um assunto desses.

Se eu tivesse essa fé, rogaria para que lhe concedessem uma chance a mais. Uma chance de ver sua filha se formar, se casar, lhe dar netos, lhe encher de orgulho...

Eu não sei o que fazer num momento desses: se devo visitá-la mais vezes, telefonar, me distanciar... Sofro pela insegurança de não saber ajudá-la, de não saber confortá-la. De simplesmente não saber como agir ...

Eu, que tanto já alcancei em minha vida, que tantos degraus subi, me enxergo infinitamente inferior a essa doce menina com sua fé inabalável.

Que o tratamento lhe seja digno, que a dor lhe seja mínima, que a fé permaneça irretocável, que o mundo lhe seja leve...

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Eu me lembrei hoje a tarde de que um dia, quando éramos crianças, fomos eu, a Geórgia e outras meninas numa chácara na rua da nossa casa pedir autógrafo a um famoso cantor.

Devíamos ter uns 9 anos e ficamos de longe vendo o tal cantor famoso jogar bola. Demos risadas do péssimo jogador que era e nos emocionamos quando a primeira pessoa famosa do mundo nos deu a mão e nos beijou o rosto.

Voltamos alegres para casa com o autógrado do tal cantor nas mãos e tivemos assunto com as amiguinhas por um mês. Depois fazíamos rodinha de meninas para cantar as músicas dele que sempre estava em todas as novelas.

O cantor era o Fagner.






Tenham todas uma ótima semana!

Beijoooooooo!