Fofas
No sábado retrasado, quando cumpria um turno de enfermeira do Tutu, assisti a um filme muito antigo, que passou na Band. Nas mudanças de canal e sem nada que prestasse na TV a cabo, optei por rever esse filmaço.
Trata-se do incrível "Entre Dois Amores", com Merryl Streep, Klaus Maria Brandauer e Robert Redford.
O filme em si não traz grandes novidades, mas por se basear em fatos reais da história da escritora dinamarquesa Karen Blixen, é fascinante.
Ela viveu na África num período em que não havia respeito pelos animais nem pela mulher, mas com sensibilidade soube contar uma linda história de amor e suas perdas. E soube viver naquele mundo inóspito e imprimir nele sua sensibilidade e sua marca, que até hoje é lembrada. Morou no Quênia de 1914 a 1931 administrando uma fazenda de café, um casamento fracassado, um amante incrível e uma doença.
Voltou da África com o que poderia ser considerado uma derrota: sem marido, sem fortuna, sem amante e com uma doença mortal. Mesmo assim Karen soube guardar na memória e transmitir em seu livro passagens belíssimas, como o envolvimento com o povo local e as paisagens inesquecíveis, que marcou para sempre sua vida...
Karen Blixen escreveu muitos anos apenas com o pseudônimo de Isak Dinesen. E escreveu maravilhas! Quem nunca assistiu ao fime "A Festa de Babete"? É considerado um dos maiores clássicos do cinema.
A capacidade de Karen em capturar momentos tão belos da natureza é uma de suas maiores marcas. Saber descrever as maravilhas da África como ela fez é quase impossível que volte a ocorrer. Suas descrições são lindas, ternas, de metáforas perfeitas e ricas. Uma autora que vale a pena conhecer na plenitude.
Mas eu falo de Karen Blixen, ou Isak Dinesen, porque é dela uma das mais belas frases que já li... Não há nada demais, mas há a captura de um momento, a constatação de que não devemos deixar passar momentos tão belos que a natureza nos proporciona. Eu a li na faculdade e me cravou na alma, sempre penso nisso...
Vejam o que ela escreveu:
“Uma vez, quando eu estava navegando no Cabo da Boa Esperança e surgiram albatrozes no céu, as pessoas ficavam dizendo:”Por que você vai ficar no convés? Venha para dentro”. Diziam: “É hora do almoço”, e eu disse: “Dane-se o almoço! Posso almoçar todos os dias, mas é bem provável que eu nunca mais veja albatrozes. Um vôo tão lindo!"
Isak Dinesen - Karen Blixen
Isak Dinesen - Karen Blixen
E foi isso que aconteceu comigo hoje na hora do almoço.
Tudo pronto, mesa posta, meu irmão me chamou para o almoço e eu lá, na janela, espiando furtivamente e completamente encantada, uma gulosa e sapeca maritaca comendo nossas mangas.
A mangueira, como sabem, será cortada no próximo ano. É a última produção de frutas dela.
Quando terei oportunidade de ver novamente, em minha vida, uma maritaca comendo mangas em meu quintal??? Nunca mais...
E, imediatamente, lembrei-me de Karen Blixen: "Dane-se o almoço!"
E pude fazer fotos incríveis da gulosa maritaca... O almoço que esperasse, pois isso poderei ter todos dias...
Resultado final em um dos frutos:
Reinando absoluta - e de barriginha cheia!
Descanse bem e volte logo...
Meu muito obrigada a Karen Blixen, a absoluta que me ensinou a capturar tão belos momentos:
Tenham todas um dia lindo, aproveitando cada um desses belos momentos...
Beijooooo


