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domingo, 27 de setembro de 2009

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

Apaixonada que sou por literatura, sempre me presenteiam com preciosidades que faz com que me cale por dias numa compenetração total.

E foi num dos meus aniversários, há uns 6 anos, que ganhei de meu querido irmão que mora em SP o livro "A Montanha Mágica", de Thomas Mann.

Lembro-me que sempre admirei Thomas Mann e ainda não havia lido apenas este livro. Fiquei tão empolgada e feliz que nem me lembro se agradeci com a cordialidade que se deve ter quando se ganha um presente muito desejado.

Naquela noite mal dormi e já adentrei a conhecer a vida de Hans Castorp - e já adianto um pouco a vocês. É um jovem de boa formação, porém com limitações, que vai visitar um primo adoecido de tuberculose num lugar distante, numa montanha, em que ficam reclusos todos os que padecem desse mal. A história se passa no período que antecede a primeira guerra, quando ainda não havia cura para a tuberculose: era praticamente uma sentença de morte!

E nesta visita ao primo, Hans Castorp acaba sendo internado, pois os médicos descobrem que ele já tinha a doença embutida em seu organismo. E neste "internato" forçado, processa-se uma grande transformação em Castorp - que passa a dar valores onde não via, que passa a ver a morte com uma frequência desconcertante, que se despede de vidas diariamente.

Quase todo o livro se passa na Montanha Mágica - que é coberta de neve durante todo o ano, pois sabia-se que em climas frios assim o tratamento para os doentes era de melhor resultado. Ir para a Montanha Mágica era receber uma sentença de morte.

Quanto mais Castorp conhece os personagens, mais se processa um aprofundamento psicológico de todos eles - e é aí que está a graça e o encanto do livro. Lá há discussões, questionamentos, descobertas e - o mais interessante - o crescimento de Hans Castorp!

E Castorp se apaixona, mesmo sabendo que em suas condições - na ausência de esperanças ante uma doença quase 100% fatal - este amor não frutificará. E a maneira como lida com este amor fatal (ambos são doentes) é de comover e te prender leitura adentro.

E tudo isto ocorre muito lentamente, pois a vida lá nas montanhas se passa lentamente, os dias se arrastam, o tempo se perde. E não há como ser diferente em um livro de 800 e tantas páginas - mas que te encanta e te prende do início ao fim (já li 4 vezes, com medo de ter esquecido detalhes).

Adianto que não é um livro recomendado para quem deseja uma dinâmica na leitura, com grandes ações e tramas rebuscadas. É mais um livros de conflitos psicológicos diante da morte, mas que mesmo assim encontra brecha para se encantar com o amor, a amizade, a solidariedade, a religião, a dor, a perda...

E a maior das curiosidades:

THOMAS MANN, o autor do livro, é um dos maiores escritores do mundo, sendo que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929.

O que poucos sabem que é ele é filho de um alemão com uma brasileira: Júlia da Silva Bruhns!

Um fato relevante para muitos que desconhecem este escritor de talento ímpar e um incentivo a mais para se apegar a um de seus livros, pelo menos.

Para quem desejar uma leitura de um livro de Thomas Mann mais repleto de tramas e rapidez, recomento o inigualável Doutor Fausto. Não há dúvidas de que este é um dos melhores livros do mundo, adiante de seu tempo e com citações fartas à sua mãe. Mas este livro é para uma outra postagem...

Beijos em todas!