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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Renascimento Diário

Olá Queridas!

Como estão todas vocês? Felizes pelo tempo mais fresquinho, não é mesmo?

Hoje retomei minhas caminhadas, encorajada pelo tempo fresco e pelo companheiro de sempre, o collie Fiel. Fizemos uma longa caminhada e espero que isso me faça liberar as endorfinas de que tanto necessito.

Nunca contei antes no blog, mas sofro de depressão há muito tempo, sendo que já passei por muitos tratamentos sem que surta muito efeito. Há picos, momentos em que estou muito bem e noutros em que quase feneço. Um ciclo complicado de idas e vindas de tristeza, muitos remédios sendo testados, diferentes diagnósticos, internações, sofrimentos imemoriáveis...

Mas tenho lutado muito contra isso, o trabalho árduo no mercado me ajuda bastante, assim como os artesanatos e este blog - lugar que se tornou um refrigério para minha ebulição mental, meu desassossego de alma, minha inquietação de tristezas.

E assim vou levando, lutando por mais um dia e tentando encontrar algo que me faça realmente feliz e me tire desse inferno.

Meus animais de estimação são meus maiores aliados - muitas vezes mais que a própria família, que sofre tanto quanto eu por não entender a doença. Meus bichos são meus grandes companheiros, parecem me entender sem me julgar, nem me cobrar - apenas me aceitam.

Esta semana estou muito cansada, bateu-me aquela tristeza que não quero mais que volte, pois sei como ela é sedutora e me encarcera. Aliás, a depressão é pura sedução, é a sereia que canta e atrai o marujo para morrer no fundo do mar. Se você deixar ela te leva...

Como já sei para onde vai me levar, comecei a me mexer, a caminhar, a ver outras paisagens. Hoje fui para uma fazenda linda; eu e o Fiel andamos uns 8km, foi tão gostoso. Voltei revigorada e mais forte. Espero que amanhã meu ânimo não se aplaque e eu continue nessa luta, que sei que é diária.

Na mesinha de cabeceira há sempre 8 livros que me obrigo a ler todas as noites, sem exceção, e seja qual for a hora que tenha ido dormir: se caio na cama me obrigo a ler. Uma viagem mental que ajuda bastante, que me obriga a me manter no eixo.

A organização para mim sempre foi um problema, mas que se agravou profundamente com a doença. Tento desesperadamente me manter nos trilhos, mas é difícil. Os pensamentos fluem desordenadamente, seja pelos remédios, seja pela tristeza em si.

Sair de casa é um trauma e me exige imenso sacrifício de toda ordem: mental, físico, comportamental. Tem que pensar em tudo: encontrar pessoas, controlar batimentos cardíacos e suores, adversidades comuns, trânsito... Um doença quase que incapacitante.

E a família nem sempre entende como que o fundo do poço pode caber à garota que foi sempre brilhante, a primeira aluna, a prodígio, a impetuosa, a desbravadora, a independente, a esforçada, a simpática, a alegre... Adjetivos com os quais estava acostumada e que hoje viraram pó diante do mal que me acomete.

Para dizer a verdade, nem eu entendo... Morava sozinha, era totalmente independente, ganhava bem, advogava brilhantemente em Sampa e hoje nem consigo sair de casa...

Existe a forte herança hereditária, mas no fundo eu sempre fui um pouco melancólica, mesmo disfarçando isso muito bem. Desde criança era um pouco triste, sempre fui solitária. Aliás, eu sempre gostei da solidão, sempre me dei muito bem com ela. Mas um dia algo aconteceu que me travou e assim me encontro.

Mas bem lá no fundo, com sofrimento e aos trancos e barrancos, tenho esperanças de conseguir me libertar e vencer essa doença.

Acho que é uma questão de tempo e persistência. De se cercar de quem te quer bem e do que gosta de fazer. É descobrir amizades novas como a deste blog.

E é ver que o mundo pode existir além do cinza que hoje enxergo. O mundo pode ser repleto de nuances coloridas, só preciso encontrar o prisma que me forneça novamente as cores que eu via.

É descobrir que se pode ter um imenso prazer numa simples caminhada com seu cachorro, como me aconteceu hoje de manhã. E, eu lhes afianço, ter prazer no que quer que seja é difícil para quem sofre desse mal.

E são eles, meus animais de estimação que me salvaram muitas vezes, que deixo para vocês admirarem.

Fotos de todos eles e mais do Tutu, que se assemelha a mim na persistência, em não querer desistir...


Tutu antes de adoecer...




Chiquinho


Bartolomeu


Tutu antes de adoecer:


Pitico:


Creminho:


Pitico


Tutu no dia em que saiu da primeira internação:




Lola:




Tutu no hospital:


Tutu qdo participava de exposições (foi campeão brasileiro 2 vezes)




Tutu após segunda intenação, exibindo os bíceps, tríceps e barriga tanquinho:


Toni


Fiel e Tutu





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Meninas:

Hoje foi mais um pouco mais de mim, para que me conheçam melhor...

Tem dias que que é bom desabafar...

Amanhã, sem falta, farei todas as minhas visitas, que tanto me enchem de prazer.

Tenham todas um bom final de semana!