Qual dos dois é o Monstro?
Olá Queridas!
Muito frio por aí? Afff, aqui está de lascar e foi muito de repente. A temperatura caiu mesmo!
Meus peludos felinos estão todos em suas caminhas a essa hora pois, se já são dorminhocos por natureza, imaginem com friozinho....hehehe
Agorinha fui vê-los e o Vuvu estava dormindo com o Pitico, ambos abraçadinos...hehehe. O Fiel, meu collie peludão, está todo feliz, pois ama o frio. Tirei muitas fotos e depois vou postá-las.
É que hoje quero falar de um assunto que, por mais que esteja sendo martelado por toda mídia, ainda necessito externar meu repúdio: trata-se do assassinato cruel de Eliza Samúdio.
O mal que infligiram a essa moça é de uma crueldade atroz, nem mesmo vista nos filmes e livros de Stephen King, o mestre dos horrores que escreveu, entre outros, O Iluminado.
O mais impressionante é ler em muitos blogues, ou mesmo ouvir em conversas paralelas, a velha e descabida justificativa machista: ela fez por merecer, afinal seu passado era dos piores.
Não quero aqui adentrar neste mérito, mas de antemão não aceito esse tipo de argumento. Nós já sabemos um pouco da vida dessa moça: abandonada pela mãe por duas vezes (aos 6 meses e aos 3 anos) e com pai pedófilo que, muito provavelmente, abusou dela também, pois essa é uma conduta recorrente em casos de pedofilia.
Não mantinha contato com a mãe há 6 anos e o pai, até onde se divulga, pouco ou quase nada sabia da vida da coitada. Com pouco estudo, sem salvaguardas financeiras ou emocionais de parentes que deveriam orientá-la, amá-la e protegê-la, saiu de casa aos 19 anos para nunca mais voltar.
O que uma menina com menos de 20 anos entende da vida? Nada ou quase nada. Para sobreviver uniu-se a quem não devia e trilhou um caminho que, para ela, era normal: usar o corpo, afinal o seu genitor, que era a pessoa que mais deveria protegê-la no mundo, deve ter lhe mostrado que isso era "normal". Psiquiatras dizem que marcas de pedofilia ficam para sempre e atuam na formação do caráter e de juízo de valor.
Portanto, não podemos julgar essa menina pelo rumo de vida que tomou, pois teve seus infortúnios e suas dores desde a mais tenra idade. Falarmos de moralismo para uma menina que não sabe o que isso significa por nunca ter tido em sua formação, é atirar no vazio.
O encontro dela com o goleiro Bruno deve ter sido a saída para essa garota tentar, finalmente, ter sua segurança, algo que todos nós buscamos e que ela nunca teve. Seja segurança material ou afetiva, tratava-se apenas de uma questão de sobrevivência e busca da felicidade. Eu, sinceramente, não a culpo por isso, pois ela não deve ter colocado a arma na cabeça dele para mater uma relação sexual, afinal esse poder nós mulheres não temos.
Falam que ela foi apenas interesseira. E quem se envolve com meninas assim e é casado, espera o que exatamente? Quem é famoso e ganha em um mês o que muitos não ganharão por toda vida, é que deveria se cuidar. Camisinha pode sim ser uma decisão unilateral, basta apenas ter mais cérebro que testosterona.
Depois de tudo feito e a gravidez consumada, a moça foi sequestrada, mantida em cativeiro e obrigada a tomar abortivos que ainda desconhecemos quais sejam, pois nem mesmo a perícia detectou com firmeza.
Como em toda e qualquer relação de violência, ela procurou se proteger como pode. Como não tinha um pai ou uma mãe, procurou o Estado. Exigiu medidas protetivas que vislumbram o direito da mulher, a aplicação da Lei Maria da Penha.
De todo o ocorrido nessa monstruosidade atroz, essa é a parte que mais me chocou, pois se essa moça tivesse sido atendida por quem é pago para protegê-la, eu lhes afianço que nada disso teria acontecido.
As falhas no caso da denúncia de Eliza foram sucessivas e, creio eu, muito bem "pagas". Falharam a delegacia, o Ministério Público, a juíza e a imprensa que não deu a mínima e a viu como apenas mais uma golpista... Uma sucessão de erros imperdoáveis!
Seu exame de urina foi engavetado e só ficou pronto após nove meses e depois do desaparecimento dela.
A juíza diz que a tal lei não é cabível e dá uma justificativa injustificável, dizendo não tratar-se de relação conjugal. Ué, então a mulher tem poder de engravidar sozinha? A subjeitividade equivocada da juíza na interpretação da lei matou essa moça.
O que mais me choca é saber que foi uma juíza, que foi uma mulher que deu essa decisão! Mesmo sabendo que se tratava de uma moça grávida de 5 meses, sozinha no mundo, que foi sequestrada, espancada e forçada a tomar abortivos, ela preferiu interpretar a seu modo, ou seja, eivada de um machisto nojento, cruel e obsoleto.
O Estado, ao não proteger Eliza Samudio, a matou.
Nós só podemos concluir que não adianta a lei ser boa, como é o caso da Lei Maria da Penha, se os operadores do direito não estivem preparados para aplicá-la: o delegado que não encaminhou o exame de urina, a infeliz da juíza que interpretou a lei com um machismo atroz, o MP que não interveio nem mesmo para ler do que se tratava.
O goleiro Bruno, vendo que o caso não daria em nada, potencializou sua crueldade, tramou o sequestro e a morte de Eliza. Se ele tivesse sido punido e processado pelo Estado, nada disso teria acontecido com Eliza Samudio.
A omissão do Estado alimentou o monstro que sempre existiu dentro do Bruno.
E, friso aqui, o tal Bruno deve ter usado de seu cacife financeiro para "comprar" a omissão da justiça. A nossa justiça é sim vendida, basta conhecer o caminho certo.
A moça saiu fugida de SP e, após ter o filho e estar em dificuldades, foi enganada por Bruno com falsas promessas de ajuda financeira, voltou ao RJ para depois ser sequestrada, morta, esquartejada e jogada aos cães.
Agora eu lhes pergunto: além dos pais dessa moça, qual é o maior culpado dessa tragédia? O Estado, pois deixa à disposição das mulheres violentadas funcionários omissos, preguiçosos, vendidos, covardes e machistas.
A lei só funciona para ricos, como no caso da Luana Piovani que recebeu o benefício. Eliza Samudio e a cabeleireira mineira Maria Islene, que fez 8 boletins de ocorrência contra o ex-marido, nada receberam de quem deveria protegê-las e foram trucidadas.
Agora o Estado será processado por não ter protegido Eliza. E sabe quem pagará a conta dessa indenização que será milionária? Todos nós! Nós pagaremos a conta porque uma certa juíza de araque decidiu externar todo seu machismo em uma decisão que tirou a vida da moça, colocou um atleta na cadeia e deixou um bebê sem sua mãe. E a tal juíza e demais funcionários medíocres continuarão recebendo seus polpudos salários mensalmente. Salários que são pagos por todos nós, é claro.
E onde está o CNJ, o Conselho Nacional de Justiça, que não sai em desabalada carreira para expurgar essa juíza da carreira de magistrada? Se fosse nos EUA o que aconteria com ela?
Enquanto continua tudo como antes no quartel de abrantes, a maior das vítimas, o bebê Bruninho, prosseguirá cumprindo a maldita sina que era de sua mãe: terá uma vida sem mãe, sem pai e, muito provavelmente, também não será protegido pelo Estado que, se fosse sério, encontraria um tutor decente e jamais entregaria a guarda dele a nenhum dos avós.
E vai doer mais ainda para o Bruninho quando souber que sua mãe foi vítima de um dos crimes mais cruéis que se tem notícia na história do Brasil.
Pobre Bruninho....
E pobre também do nosso país que não protege suas mulheres...
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Amigas Queridas:
Eu tinha de escrever sobre este assunto.
Eu me senti na obrigação de sair em defesa dessa moça para quem a vida tudo lhe negou, do início ao triste fim. Pelos meios que o abandono lhe ensinou, tentou encontrar a segurança e a felicidade construindo uma família, mas acabou trucidada por seu algoz.
Fica a lição: não podemos jamais julgar as pessoas sem saber do seu passado. Nós somos mais do que a aparência e o estilo de vida, e isso vale, mais do que nunca, para Eliza Samudio e sua triste origem e história de vida.
Que tenham piedade de sua alma, que iluminem o caminho do bebê Bruninho e que o monstro pague pelo fez, tanto aqui como lá.
Tenham todas um ótimo dia!
Beijooooo





